Converso com executivos C-level diariamente e, nos últimos anos, um dilema se tornou quase universal: a pressão implacável para cortar custos e, ao mesmo tempo, a necessidade existencial de investir em inovação. Muitos veem esses dois imperativos como forças opostas, uma batalha de soma zero travada nos orçamentos anuais. Contudo, os líderes que definirão a próxima década são aqueles que enxergam de forma diferente. Eles não veem uma contradição, mas uma conexão.
Essa conexão tem um nome: Agilidade Estratégica. E ela se tornou, na minha visão, a competência de liderança mais crucial no cenário corporativo atual.
A Agilidade Estratégica, como evidenciada nos recentes relatórios de ganhos do primeiro semestre de 2025, vai além da simples rapidez. Trata-se da capacidade de gerar alavancagem operacional (operating leverage), implementando uma disciplina de custos rigorosa não como um fim, mas como um meio para financiar agressivamente os motores de crescimento do futuro. É a arte de transformar a eficiência de hoje no combustível para a inovação de amanhã.
Vejamos como isso se manifesta na prática. A Johnson & Johnson (J&J), por exemplo, demonstrou essa resiliência ao conseguir crescer em Vendas Operacionais mesmo sofrendo o impacto significativo da perda de exclusividade de um de seus principais produtos. Como? Canalizando recursos e foco para suas marcas-chave em áreas de altíssimo crescimento, como Oncologia e Imunologia. A lição de liderança aqui é clara: um executivo com agilidade estratégica não se paralisa diante da perda; ele re-aloca capital de forma decisiva para onde o potencial de retorno é maior.
Outro exemplo magistral é o da Alphabet (Google). A empresa está fazendo investimentos massivos em infraestrutura de Inteligência Artificial, o que naturalmente eleva despesas, como os custos de depreciação. No entanto, a gestão espera que a alavancagem de seus resultados em outras áreas ajude a compensar esses custos crescentes. Este não é um mero equilíbrio contábil; é uma declaração de estratégia. O líder com essa visão utiliza a força do negócio consolidado para construir, de forma deliberada e financiada, o império do futuro.
E essa eficiência não é um conceito abstrato. A Nestlé está a caminho de gerar 700 milhões de francos suíços em 2025 através de seu programa “Fuel for Growth”. As fontes dessa economia são táticas e modernas, como o uso de IA para revisão de faturas e a realização de leilões eletrônicos para compras (e-auctions). O líder que prospera hoje não apenas aprova orçamentos; ele compreende e implementa as ferramentas que geram produtividade.
Ao longo de minhas três décadas conectando empresas a líderes, aprendi a identificar os traços que realmente fazem a diferença. O líder com Agilidade Estratégica não é simplesmente um bom gestor financeiro. Ele é um arquiteto de negócios que possui uma combinação rara de disciplina de custos, foco obsessivo nas áreas de maior potencial, uma visão de longo prazo e a sagacidade para usar a tecnologia como ferramenta de eficiência.
É este o perfil que as empresas mais competitivas do mundo estão buscando ativamente. A capacidade de transformar economia em motor de crescimento não é mais um diferencial; é a definição da liderança que vence. A competência de Agilidade Estratégica é a prova prática da profunda transformação que a liderança atravessa. Para uma visão 360º deste novo cenário e dos desafios no mercado brasileiro de TI, baixe nosso White Paper definitivo: Liderança e Talentos de Alta Performance no Setor de TI Brasileiro para 2026
Benedito Borghi,
Fundador da Lopes & Borghi Consultoria





